Na véspera de completar um ano do início do Lab Campo Grande, projeto que acompanhamos com grande proximidade, compartilhamos por aqui registros e memórias de sua realização. O TransLAB.URB, coletivo autônomo de Porto Alegre (RS), desenvolveu a metodologia de Laboratórios Urbanos Efêmeros e a aplicou para a Prefeitura Municipal de Campo Grande – e foi daí que surgiu o que carinhosamente chamamos de Lab Campão 🙂

Uma das primeiras atividades do Lab. Foto: LabCampoGrande

Embora ainda estivesse hibernando, o Taipa de certo modo se fez presente, por meio da atuação da nossa gestora, Sheila, que ficou responsável por criar e administrar algumas das principais ferramentas e fluxos de comunicação do projeto, além de outras atividades ao longo da execução do laboratório. Assim como no Taipa, foram priorizadas as tecnologias de código aberto, bem como definido que o conteúdo gerado sobre e durante o Lab fosse licenciado em CC-BY-SA.

O que é um Laboratório Urbano Efêmero?

Num espaço-tempo previamente definido e apoiado numa metodologia que prioriza elementos como experimentação e cooperação, um Laboratório Urbano Efêmero tem como objetivo prototipar as dinâmicas de operação ideais para um determinado território urbano. Durante um laboratório urbano efêmero, indivíduos e organizações de distintas representações sociais (academia, administração pública, sociedade civil e iniciativa privada) têm oportunidade de atuar em conjunto para pensar e testar possíveis cenários para tal território.

De 19 de agosto a 23 de setembro de 2019, a aplicação dessa fórmula deu vida ao Lab Campo Grande, como anuncia a abertura do site do projeto (ainda disponível online):

“Ocupando temporariamente o espaço da Esplanada Ferroviária, o Lab Campo Grande é um espaço de encontro para que projetos e iniciativas que estão na cidade construam ações e atuem em rede para um melhor entendimento dos potenciais deste território.

Propondo ações efêmeras e colaborativas que visam reconhecer, fortalecer e agir sobre essa área e seu entorno, o Lab Campo Grande, mais que uma ocupação física, é um ciclo de atividades para debater visões alternativas para o futuro da Esplanada Ferroviária, dando voz à comunidade de Campo Grande. Fazendo uso dessa inteligência coletiva, este processo busca criar diretrizes a serem utilizadas no projeto de requalificação da área.

A participação do público é sempre gratuita, aberta e fundamental, por isso o Laboratório é aberto e colaborativo – pessoas e organizações podem, inclusive, propor atividades para compor a programação.”

As atividades desenvolveram-se ao longo de 3 etapas: mapeamento, experimentação e análise. O mapeamento refere-se tanto ao levantamento de informações geofísicas do território em si quanto sobre pessoas e organizações que com ele se relacionam. Parte dessa etapa foi realizada antes da chegada da equipe a Campo Grande e logo complementada com o apoio da própria comunidade local, que foi publicamente convidada a colaborar.

Já na etapa de experimentação ganharam espaço as atividades que em sua maioria foram propostas e desenvolvidas por agentes locais. Dezenas de ações aconteceram, entre elas: aulas abertas das faculdades locais, oficinas de dança, visitas guiadas aos territórios da Esplanada Ferroviária e ao Mercado Central, palestras, debates, exibições de documentários, festival musical e várias além. Outras atividades também foram propostas pela equipe do Lab, visando investigar mais detalhadamente as percepções que xs habitantes de Campo Grande tinham sobre os territórios abraçados durante o Lab. A participação do público era sempre aberta e gratuita. A programação completa foi registrada em um calendário online e pode ser acessada clicando aqui (basta usar as setas para navegar até os meses de agosto/setembro de 2019).

Por fim, a análise ganhou forma com a tabulação das informações levantadas e com sua apresentação em dois formatos: um relatório e um documentário audiovisual, também compartilhados publicamente. O relatório está disponível nessa página aqui. Tais documentos têm como objetivo balizar os projetos de requalificação da área em questão, contemplados pelo projeto Reviva Campo Grande, de iniciativa da Prefeitura Municipal da capital.


Parte da equipe, em momento informal e aleatório na segunda casa (antes dela houve um apartamento) que habitamos durante nossa passagem pela Cidade Morena. Foto do arquivo pessoal da equipe.

Obviamente, o planejamento e a organização de um projeto como esse começa meses antes. São complexas logísticas que precisam dar conta de elementos como recursos de trabalho (internet, mobiliário, material de escritório, material para as oficinas, equipamentos de som, manutenção do espaço físico a ser ocupado…), financeiros, comunicação e cooperação com agentes locais, atenção e cuidado às especificidades do contexto e vários outros. Como se tantas ocupações não fossem suficientes, enquanto equipe nos propusemos a realizar uma autogestão de nossas acomodações pessoais. Enquanto parceirxs de empreitada, estivemos (equipe fixa de 7 pessoas + 1 ou 2 flutuantes por vez) numa casa compartilhada, em uma cidade que nos era nova, durante o período de realização do Lab.

Essa breve descrição dá algumas pistas sobre o quanto de trabalho teve a equipe que fez o Lab Campo Grande acontecer. Estávamos em 7 pessoas, de distintas áreas de atuação: arquitetura e urbanismo, psicologia, documentação multimídia e comunicação.

De modo muito parecido com o que acontece em outros tipos de Laboratórios de Inovação Cidadã/Social (já falamos de outro neste post aqui), o Lab Campão foi uma farta oportunidade pra criar redes, pra conectar pessoas de diferentes perspectivas, pra tirar ideias do papel ou aprimorar tantas outras. Pra nós, além de tudo isso, enriqueceu nosso conhecimento acerca de MUITOS assuntos e deixa saudades da Cidade Morena 🙂

Outros registros do projeto podem ser encontrados na página do Facebook e no Instagram.

Por dentro de um Laboratório Urbano Efêmero

Uma ideia sobre “Por dentro de um Laboratório Urbano Efêmero

  • 18 de agosto de 2020 em 18:27
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    Que maravilha isso! Boas lembranças de todo o esforço e alegria. Baita trabalho.

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